segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Como lidar com um Hipocondríaco

Significado de Hipocondríaco:
adj. e s.m. Relativo ao hipocôndrio.
Fig. Triste, melancólico, sempre preocupado com sua saúde.



Certamente você já ouviu falar que Fulano ou Siclano é hipocondríaco. Conforme descrito acima, o hipocondríaco é aquela pessoa que está sempre doente, sempre reclamando de suas dores e mazelas, sempre com alguma enfermidade física ou psicológica. Geralmente são pessoas vistas como "fracas" pelos outros e, por isso, acabam recebendo um tratamento diferenciado devido às suas "limitações". Conhece alguém assim? Pois bem. Você já pensou que todo esse cenário pode ser uma grande manipulação da sua boa vontade e credulidade?

Em primeiro lugar, vamos raciocinar juntos: POR QUE uma pessoa gostaria de passar mal e de ser vista como alguém doente pelos outros? Quais benefícios alguém pode obter sentindo dores e/ou mal-estar? O que o indivíduo ganha sendo/se fingindo de doente?
Muito bem. A resposta é simples e surpreendente: ATENÇÃO. Isso mesmo, o que uma pessoa ganha ficando doente é a atenção dos demais. Quando alguém apresenta um dado comportamento (mesmo que seja um comportamento negativo) e recebe algo que aprecia em virtude dessa postura, esse ser obtém um Benefício Secundário. Por exemplo: Fulana é uma pessoa apagada, sem nada de especial em sua personalidade. Não tem talentos incomuns, não possui uma beleza extraordinária, não é dona de uma inteligência impressionante. De qualquer forma, ela quer se sentir especial, quer receber a atenção de outrem (todos nós queremos isso, obviamente). O que fazer para se colocar no centro das atenções, para ser tratada com deferência, carinho e zelo? Ficar doente, claro! Passar mal é uma excelente maneira de ganhar o apoio e a empatia dos demais!

Esse tipo de comportamento tem origem na infância. Se a criança tem pais superprotetores ou negligentes em demasia, provavelmente vai desenvolver a hipocondria a fim de obter ibope. Os pais superprotetores tendem a criar filhos fracos, medrosos e dependentes. Esse tipo de progenitores sentem um prazer inexplicável em ter os filhos sob o seu comando e não aceitam que os mesmos sejam independentes e autônomos. Uma criança "doentinha" é um prato cheio pra gente assim. Daí a criança cresce e passa a repetir a dinâmica com o cônjuge, anos depois. Eu conheci uma moça que foi extremamente mimada pela mãe, a ponto de não saber fritar um bife nem lavar um banheiro. Ela se casou com um coitado e passou a repetir toda essa dinâmica doentia com o sujeito. Ela era "fraquinha", "delicadinha", "princesinha". Se o marido a contrariava, ela começava a sentir vertigens, falta de ar, palpitações. Toda vez que havia um compromisso social/familiar na casa de alguém da família dele, ela se sentia muito mal e não conseguia levantar da cama, tamanha era sua enxaqueca. E durante o período menstrual, o pobre rapaz tinha que voltar pra casa na hora do almoço pra dar comida NA BOCA da criatura (gente, eu também sinto cólicas terríveis, mas nunca perdi um dia de trabalho por isso. Tem mulher que força a amizade, né? Trouxa é o homem que dá corda!)

Já pais negligentes criam crianças mais agressivas, duras e independentes. Como papai e mamãe não ligam, não dão a mínima, eles tendem a ser mais proativos do que os mimados. No entanto, podem também desenvolver uma hipocondria a fim de chamar a atenção dos adultos. São aquelas pessoas que só recebiam migalhas de carinho dos pais quando estavam passando mal, e também aprenderam a codificar a dinâmica "estou mal = serei bem tratado pelos outros" como um comportamento automático. Sabe aquelas pessoas que xingam, resmungam, mandam todo mundo pro inferno e depois ficam com a pressão lá na estratosfera? Então, é mais ou menos isso. Tenho uma tia assim. Ela é uma pessoa bastante controladora e agressiva, e sempre se impõe e consegue o que quer através de suas doenças. Vamos supor que ela queira passar o fim de semana na praia. Se os outros membros da família não concordarem, ela arma um barraco homérico e depois de gritar e xingar muito, cai de cama, punindo os familiares pela "desobediência" cometida. Isso mostra que nem sempre o hipocondríaco é um coitadinho bonzinho e inofensivo. Temos que considerar os dois extremos.

Geralmente, pessoas que sempre estão passando mal estão muito infelizes com a própria vida. Não é raro encontrar gente bastante insatisfeita com seus empregos/casamentos/famílias usando a hipocondria (mesmo que inconscientemente) para se defender de sua própria infelicidade. Nem sempre a pessoa está fingindo uma doença, em certos casos a pessoa realmente ARRANJA uma doença de verdade para poder fazer o que bem entende sem sofrer retaliações. A mente humana é poderosíssima e é provado cientificamente que podemos adoecer de maneira rápida e definitiva se assim o quisermos. É o caso da mulher que não suporta transar com o marido e que sempre está com dor de cabeça (cá entre nós, se a esposa REALMENTE aprecia fazer sexo com o companheiro não vai ficar inventando subterfúgios para não fazê-lo, correto?). Ou o cidadão que ODEIA seu emprego e não pode simplesmente se demitir e cair no mundo, desenvolvendo rapidamente uma gastrite aterradora. Ou o caso daquela criança que fica na escola o dia todo, em período integral, e desenvolve uma bronquite básica para papai e mamãe segurar sua mãozinha durante suas intermináveis inalações e crises.

Pessoas idosas frequentemente desenvolvem a hipocondria também. Muitos deles dispõem de excesso de tempo livre, se sentem menosprezados pela família e pela sociedade e por isso acabam se apegando a doenças, remédios e rotinas compulsivas de cuidados com a saúde. O avô de uma amiga minha adora contar todos os sintomas de suas doenças e crises, com riqueza de detalhes. Nunca ouvi aquele homem fazer uma piada ou brincadeira. Qual é a tendência de uma pessoa que age assim? Afastar todo mundo que tenta se aproximar. Afinal, sejamos sinceros: QUEM, em sã consciência, gosta de ficar ouvindo relatos de dores e mazelas? Ninguém, né? As pessoas só ouvem por educação, mas no fundo ninguém quer saber todos os detalhes da sua última endoscopia ou o que você sentiu durante o seu último exame de fezes.


Pensando em tudo isso, o que fazer? Como lidar com um Hipocondríaco?
Em primeiro lugar, não devemos dar corda para suas lamentações sem fim. A pessoa codificou em sua estrutura psicológica que passar mal = receber atenção, então sua tarefa é não alimentar essa dinâmica. LÓGICO que o indivíduo vai ficar com raiva e vai protestar quando você mudar seu comportamento, mas seja firme! Quando as choradeiras começarem, afaste-se polidamente e vá fazer outra coisa. Você será chamado de ruim, de insensível, de egoísta, mas no final das contas a pessoa vai tentar chamar sua atenção de outra forma.
Depois disso, tente mostrar à pessoa em questão que outros tipos de comportamento são dignos de apreciação e elogios. Você pode fazer isso dizendo: "Nossa, que legal seria se você aprendesse sapateado" ou "Quer jogar ludo real comigo?". Mostre à pessoa que bancar a coitada não é legal, não é digno e não atrai a admiração de ninguém. Aos poucos vá deixando patente que você não é mais um patinho inocente que cai em qualquer tipo de maquinação.
Por último, não ceda às diversas chantagens emocionais do hipocondríaco. Vamos supor que há um jantar na casa de alguém de sua família e seu cônjuge adoece de repente (pra não ir sem ter que dizer NÃO na sua cara, óbvio). Vá mesmo assim. Deixe a pessoa passando mal sozinha. Não deixe de fazer as suas coisas porque Fulano ou Siclana está tendo mais uma crise de frescura. Mostre que quem manda é você! Tenha vergonha na cara!

Para terminar, quero ilustrar tudo o que salientei acima com um belo exemplo verídico:
Tive uma conhecida que usava essa coisa de passar mal para conseguir TUDO o que queria. Eram situações que iam desde inventar dores de cabeça porque a música da festa não era do seu agrado (fazendo o dono da casa desligar o som pra não atrapalhar o conforto da princesa) até inventar dores terríveis nas costas para não transar com o marido (ela dizia para as amigas que ele tinha mau cheiro mas que ela não podia deixá-lo naquele momento devido a motivos financeiros). Gente, essa mulher inventava tudo quanto é tipo de doença para manipular as vítimas ao redor! Um absurdo! E ela era uma pessoa delicada, boazinha, de família. Ia à missa, falava baixinho, era um primor de mulher. Uma princesa, really! Só que com alma de sapo, né?
Pois bem, essa mulher vivia com o pé na cova. Com o passar dos anos, esse teatrinho foi se incorporando à sua personalidade (esse joguinho sórdido vicia!) e ela, a partir de uma certo ponto, não conseguiu mais se livrar do costume. E não é que ela arranjou um câncer de verdade? 

Pois é, sei que muitas vezes a pessoa é tão carente/insegura que acaba nem percebendo o que está fazendo para obter a aprovação alheia. Você desconfia estar agindo desse modo? Se você passa a maior parte do seu tempo doente, há algo errado. Pense bem: isso é normal? Que tal buscar ajuda? Que tal descobrir os reais motivos de tanta doença? Lembre-se: TUDO começa na mente!


P.S.> Se você está lidando com um Hipocondríaco que foi mimadíssimo pelos pais e que CONTINUA SENDO, esqueça! Não tem jeito. Você não vai conseguir lidar contra toda uma estrutura familiar neurótica. Vá gastar seu tempo com alguém mais saudável e de bem com a vida! ;)



Nenhum comentário: